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segunda-feira, 23 de junho de 2008

Projecto a cinco anos com 50 mil euros a investir

Apesar de produzir 6,1% do total da energia consumida em Portugal, o concelho de Ponte da Barca, no coração do Minho, não tem retirado disso qualquer vantagem. Agora, a câmara decidiu inverter a tendência e assumir-se como o primeiro território português de energia limpa, uma opção que contribuirá para reduzir em 30% a factura da electricidade do território.

A criação de parques eólicos ou solares e a construção de uma central de biomassa são ambições a concretizar nos próximos anos, mas a estratégia de desenvolvimento concelhia assenta, sobretudo, na consolidação de um cluster de energias renováveis para empresas capazes de gerar empregos e criar riqueza. "A limpeza das mimosas do Gerês seria quase suficiente para alimentar em permanência uma central de biomassa", indica Vassalo de Abreu.

Depois de ter assinado um protocolo com três organismos da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, que irão ajudar a autarquia a cumprir a estratégia de "território de energias limpas", a redução da factura energética dos serviços municipais tornou-se a primeira etapa. O Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores está a fazer um estudo sobre as actividades municipais, onde se justifica promover uma maior racionalização de energia. A mudança de instalações dos serviços da câmara, agendada para Outubro, veio a calhar, dando assim oportunidade de adaptar, no novo edifício municipal, sistemas energéticos mais ecológicos. "O ar condicionado, o aquecimento e a iluminação do novo edifício já terão em conta estas preocupações", garante o autarca, acrescentando que a consolidação da nova estratégia é um projecto a cinco anos, que conta com um investimento municipal de 50 mil euros.

Vassalo Abreu acredita que em poucos meses o município terá o retorno do investimento. E dá como exemplo os cinco mil euros por mês de energia consumida pelas piscinas municipais. "Percebemos que o edifício tinha erros de concepção: os painéis solares estão a ser aproveitados a 15% porque estão à sombra", indica, com esperança de que as alterações a ser efectuadas consigam uma redução de 30% da factura. O autarca está consciente de que a redução dos gastos passa também por soluções mais comezinhas, como "calafetar portas e janelas para reter mais energia e contribuir para a redução do consumo".

Dotar a iluminação pública de sistemas mais amigos do ambiente será o grande desafio. Com um território de 182 km quadrados e 25 freguesias, o concelho tem centenas de caminhos rurais iluminados, além da aldeia e lugares, o que corresponde a um custo de meio milhão de euros por ano.

Fonte: DN Online